A demora nas respostas de Deus serve para nos desmascarar

A demora nas respostas de Deus serve para nos desmascarar

Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto? João 11, versículos 25 e 26

Esta afirmação, a princípio, pode até não fazer sentido algum, ou, não por menos, ser um bocado dura. Para já posso te dizer que, com toda franqueza, faz mais sentido do que eu mesmo possa explicar.

Não é à toa que gostava de usar os versículos mencionados acima e o título deste artigo fará mais sentido ainda quando esmiuçarmos o texto sobre a ressurreição de Lázaro. Vale a nota que Lázaro era amigo de Jesus, fato este que a Bíblia dá mesmo ênfase.

Os primeiros versículos deste capítulo nos relata que, chegando a Betânia com algum “atraso” (vou destacar a palavra atraso, pois Jesus nunca chega atrasado), Jesus encontra as irmãs Marta e Maria em luto. Ele chora com elas antes de realizar o milagre central do capítulo: a ressurreição de Lázaro, que já estava morto há quatro dias. Este evento não só evidencia o poder de Jesus sobre a morte, mas também o Seu amor incondicional pelos amigos e a importância da fé para a manifestação de milagres. Mas o detalhe que quero chegar ainda está por vir.

Antes que Jesus chamasse dentre os mortos a Lázaro, no versículo 21, Marta vai ter com Jesus: Disse pois Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. A mesma atitude teve Maria no verso 32: Tendo pois Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

As duas irmãs, sendo tão diferentes, tiveram o mesmo pensamento: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido!”.

De modo geral, não somos muito diferente de Marta e Maria, pois a nossa expectativa tende a ser a mesma: Jesus, intervenha nesta causa, e, como dizemos que temos Jesus por perto, logo, nada de ruim poderia nos acontecer.

Se olharmos a nossa volta, quantas lutas, batalhas, desafios (e para não dizer outros adjetivos que mostre o quanto sofremos e padecemos, pois gostamos mesmo de nos vitimar) temos no nosso dia-dia e se pudéssemos diríamos até: “Jesus, tu tens poder para evitar o que está a me acontecer…”. Mas, a verdade mesmo, é que Jesus quer mesmo nos ensinar alguma coisa diferente.

As irmãs em luto, tristes, e Jesus, diz-lhe: seu irmão ressuscitará, como está escrito no versículo 23. E como conhecedoras da lei, e da verdade, Marta diz-lhe: “Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia”, como está escrito no versículo 24. E Jesus diz-lhe os versículos que usamos como chave para este artigo.

Pode até parecer um bocado cruel para com Marta e Maria a afirmação de Jesus, que é Ele a ressurreição e a vida e que ainda que esteja morto, viverá, se crer nEle. Pode até mesmo parecer indelicado naquele contexto, pois as irmãs estavam de luto e ainda achavam que, se Jesus tivesse chegado antes, pudesse evitar a morte do irmão, pois Marta ainda diz isto para Jesus: “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo”, texto este presente no versículo 27.

Marta e Maria era como qualquer um de nós: ia para a igreja, frequentes nos serviços de cultos, conhece a Palavra, canta hinos e louvores e reconhecemos o Senhor Jesus como o Cristo, mas Jesus, ao afirmar que É a ressurreição e a vida não está a prometer que não haveria morte, mas que haveria ressurreição. Mas o que isso quer mesmo dizer? Jesus não está a falar da morte física, tanto é que Lázaro, Maria e Marta não estão por aí a caminhar pelas ruas; eles morreram. Estão com o Senhor e não se tornaram imortais por acreditarem no Senhor Jesus. Podemos reparar em 1 Coríntios 15, nos versículos 55 à 57, referindo-se ao pecado como o “aguilhão” da morte. Este texto afirma que o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei, mas que a vitória sobre ambos é dada por meio de Jesus Cristo. A morte para quem está em Cristo é a certeza da vitória de Cristo sobre o pecado que outrora nos assolava.

Quem não tem dificuldades em esperar? É fato que, quando estamos só, ou mesmo com os nossos, somos o que somos: impacientes; demonstramos mesmo que não estamos cá para esperar. Mas, quando estamos com os outros, pode ser que até conseguimos disfarçar qualquer coisa, mas, mesmo assim, somos nós mesmo. E com isto, justifico aqui o título deste artigo. Somos mesmo desmascarados pelo Senhor a todo instante.

Marta e Maria sabiam e reconheciam a grandeza e o poder do Senhor Jesus, mas isto não estava ajustado com o tempo (tempo aqui em relação à “demora”, ok), pois, para que fosse mesmo possível o Senhor Jesus manifestar, e demonstrar sua grandeza e poder, era preciso um motivo, e o motivo apareceu.

O fato de Marta e Maria reconhecerem o poderio do Senhor Jesus nunca foi colocado em prática. Para elas, o Senhor Jesus era mesmo o Cristo, mas seu poder e suas maravilhas até então, pareciam algo distante, algo inalcançável, mas elas estavam lado a lado com o autor e consumador da nossa fé, face a face com o Rei dos reis, falaram com a Estrela da Manhã, ouviram palavras de fé e esperança do próprio Príncipe da Paz, mas, para elas, parecia que era como se estivesse perto de qualquer um de nós. Criam, mas apenas da boca para fora. Na verdade não criam. Alguma semelhança connosco?

Pior que isto foram as reações das duas irmãs diante da morte de Lázaro: culparam o Senhor Jesus pela morte do irmão: Ah, Senhor, se Tu estivesses cá… A morte que era, e é ainda, algo natural, talvez seja a única certeza da vida, a morte esteve, está e estará presente desde a queda do homem até a consumação dos dias. Ou pensas tu que serás eterno? Quem nunca tentou atribuir algo de ruim que aconteceu algum dia connosco a Deus, para não dizer ainda quem atribui a Deus alguma culpa… É mesmo algo para desnudar quem realmente somos. E quando queremos abandonar a fé por que isto ou aquilo não aconteceu? Qualquer demora ou qualquer coisa que não aconteça como queremos já logo revelamos quem somos. Quando as coisas correm bem, não temos muito a revelar, mas quando as coisas não vão tão bem assim… Podemos até disfarçar, mas a verdade, Deus sabe quem realmente somos e principalmente, o que realmente precisamos.

Algo que podemos fazer para contribuir com o aumentar a nossa fé é reconhecer que ainda precisamos mais e mais do Senhor Jesus. Precisamos entender que o “atraso” de Deus não é negligência, é pedagogia.

A demora serve, sim, para nos desmascarar. Ela retira a maquilhagem da nossa religiosidade e expõe o nosso coração ansioso e controlador. Enquanto tudo corre no nosso tempo, dizemos “Deus é fiel”. Mas é no silêncio dos quatro dias de Lázaro morto que descobrimos se cremos em Deus ou se apenas cremos nas bênçãos que Ele dá.

Jesus permitiu que a situação chegasse ao extremo — ao cheiro de morte — para que Marta, Maria e todos nós aprendêssemos uma lição vital: Ele não veio apenas para “consertar” a nossa vida, Ele veio para ser a nossa vida.

Quando Jesus diz “Eu sou a ressurreição e a vida”, Ele está nos convidando a confiar na Sua Pessoa, e não apenas no Seu cronograma. Às vezes, Ele deixa morrer os nossos planos, os nossos prazos e as nossas expectativas (o nosso “Lázaro”), para que Ele possa ressuscitar algo muito maior e eterno em nós: uma fé inabalável que não depende das circunstâncias.

Portanto, se hoje sentes que Deus está a demorar, não te desesperes ao ver a tua impaciência revelada. Deixa cair a máscara da autossuficiência. Admite a tua fraqueza e ouve a pergunta que Ele fez a Marta e que hoje ecoa para ti: “Crês tu isto?”.

Que a nossa resposta, mesmo em meio às lágrimas e à espera, seja: “Sim, Senhor, eu creio. Tu sabes o tempo certo, e a Tua demora é apenas o prelúdio da Tua glória.”

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